sexta-feira, 22 de abril de 2011

O JEJUM DA PÁSCOA NÃO É DO ESTÔMAGO, É MORAL!

Leio no Jangadeiro Online que “pescadores trabalham duro para garantir o peixe da Semana Santa”. É que na Páscoa, as pessoas são orientadas para um jejum de carne e não de peixe. E como não jejuam do essencial, da maldade, da ambição desenfreada, da sede insaciável do lucro, do comércio da fé e do consumismo doentio, os comerciantes se ocupam logo em aumentar os preços do pescado. Em decorrência, os que podem promovem lautas ceias em casa ou vão aos restaurantes, depois de um dia de jejum. Tudo isso regado geralmente a um bom vinho, enquanto a imensa pobreza não tem o pão comum para saciar seu forçado jejum.

A Bíblia diz que o verdadeiro jejum não é o do estômago. E o próprio Jesus Cristo e seus apóstolos eram criticados pelos judeus do seu tempo porque não eram dados ao jejum. Registra o Novo Testamento que, no banquete com os publicanos do qual o Mestre participava na casa de Mateus, foram ter com ele os discípulos de João Batista, perguntando-lhe: “Por que nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?”. É que o Cristo e seus discípulos eram tidos, ao contrário, por comilões e beberrões. Ele mesmo queixou-se: “O Filho do homem porque come e bebe, dizem: É um comilão e um beberrão, amigo dos publicanos e dos devassos” (Mat.11:19).

Muitos antes, já dizia o profeta Isaías no Velho Testamento (Isa. 58:3-7): “De que serve jejuar se disso não vos importais? É que no dia de vosso jejum, só cuidai de vossos negócios e oprimi todos os vossos operários. Passai vosso jejum em disputas e altercações, ferindo com o punho o pobre. Não é jejuando assim que fareis chegar lá em cima a vossa voz”. E questiona ainda: “O jejum que me agrada porventura consiste em o homem mortificar-se por um dia? Sabeis qual o jejum que eu aprecio? – diz o Senhor Deus. É romper as cadeias injustas, desatar as cordas do jugo e mandar embora livres os oprimidos. É repartir o pão com o faminto, dar abrigo aos infelizes, vestir os maltrapilhos, em lugar de desviar-se do semelhante.” Como vemos, é o jejum moral dos maus hábitos, vícios e imperfeições, e não o do estômago.

Os religiosos do tempo de Jesus eram muito formais em relação aos costumes, crenças, formas do culto e dogmas. Para eles, o sacrifício físico, o cilício, a abstinência de alimentos e até o holocausto de animais eram as demonstrações mais fortes de obediência e temor ao divino. O Mestre não menosprezava as formalidades, mas procurava mostrar que o aspecto moral na fé prevalecia sobre o formal, como no episódio em que ele e discípulos foram censurados por comer sem antes lavar as mãos. Ele reagiu: “Não é o que entra pela boca que mancha o homem, mas o que sai da boca, porque a boca fala do que está cheio o coração. É do coração que provêm os maus pensamentos, homicídios, adultérios, impurezas, furtos, falsos testemunhos, calúnias. Eis o que mancha o homem, e não comer sem lavar as mãos”.

Ora, é muito mais cômodo atribuir os erros às mazelas do corpo, aos objetos externos do que à fraqueza do caráter, da vontade e do domínio sobre si. Jesus, não condenou a tradição, mas ressalvou que “quando jejuardes, não tomeis um ar triste como os hipócritas que mostram um semblante abatido para mostrar aos homens que jejuam” (Mat. 6:16). Hoje, em plena era da internet, não há mais como justificar que, a pretexto de jejuar, alguém se obrigue a comprar peixe pelos olhos da cara para não comer carne para não pecar contra Deus. É assim que o jejum do estômago e não dos atos morais costuma transformar a Páscoa, tempo para reflexão, em período de violência como anteviu Isaías, igual ou pior do que no Carnaval. É o caso de se perguntar: É esse o jejum agradável ao Senhor?

domingo, 10 de abril de 2011

ESTAMOS CARECENDO VOLTAR A ESCOLA?


Na época em que estudamos, aprendemos coisas que arisco a afirmar que jamais esqueceremos. Exemplos: a forma do PI, as equações de segundo grau, os tipos de linguagem, as escalas de temperatura da física, as antigas civilizações da história. Mais esta semana, quando os profissionais já graduados, deveriam mostrar que eram alunos exemplares em temos ainda de escola, deixaram transparecer justamente o contrário. Ao menos, para a classe de jornalistas (ou aprendizes deles). Ser jornalista é uma profissão que traz uma carga de uma importância relevantemente pesada. Assim como o médico tem a responsabilidade de diagnosticar bem um paciente para que nada de errado venham acometê-lo, os jornalistas também deverão assim fazer. Todos tem um paciente (ou na prática, vários), que recebem seus diagnósticos todos os dias, bem cedo, na porta de casa, com os rabiscos que tentam explanar o que de mais importante, novo e interessante merecia ser informado dentro de um limite de 24 horas. E ser um bom profissional, diga-se, não quer dizer que ele saiba escrever bem, que ele tenha talento ou que ele seja determinado. Acima de tudo, é preciso ser um bom profissional ainda em tempos de teorias, quando aprendemos aquilo que deveremos usar e praticar dia após dia, como um ofício afim de que se busque a perfeição (ou ao menos, tente busca-la).

É do conhecimento de todos, que hoje, o julgamento de um bom profissional na área em que atua, tem sua sentença iniciada quando ele ainda levava o caderno debaixo do braço, pra ouvir o que seu mestre teria de ensiná-lo em uma classe. Deveria ser assim com os jornalistas. Logo eles, que exercem um dever de importância insigne para a sociedade, que lhe deposita toda sua parcela de confiança no que ler, assiste, acessa ou ouve. Deveria, no futuro. No presente, a conjugação ainda é plano de um dia que se vem.

Fundamento este meu argumento no possível esquecimento de uma lição de significado crucial para esta classe hoje deteriorada: a lição de René Descartes, da Filosofia. Vale recordar:  Ainda jovem, ele manifestou o desejo de conhecer a natureza do homem e do universo. Depois de estudar filosofia, conscientizou-se, sobretudo de sua própria ignorância. Para ele, não devemos confiar (cegamente) no que lemos em livros e não podemos confiar sequer no que os nossos sentidos nos dizem. Queria provar as verdades filosóficas, mais ou menos como se prova um princípio da matemática, empregando para tanto a mesma ferramenta que usamos nos trabalhos com os números: a razão. Chegou à conclusão de que a única coisa sobre a qual podia ter certeza era a de que duvidava de tudo. Se ele duvidava, isto significava que ele era um ser pensante. Ou como ele dizia: "cogito, ergo sum" – "Penso, logo existo". Se esta se faz essencial, os argumentos de Sócrates, tem ainda mais sentido. Dizia ele, que o verdadeiro sábio é aquele que se coloca na posição de eterno aprendiz. “Só sei que nada sei”.

Todavia, foi esta semana, e agora depois de justificar o que a partir de agora tornarei claro, foi que a má disciplina dos estudantes de jornalismo se mostrou. Ao menos, no campo de aprendizagem filosófica, onde veria ser lá, fundamentada um modo operandi jornalístico que se faz essencial.

Um estudante de engenharia metalúrgica, que também é policial civil, entrou na Universidade federal do Ceará, a UFC, armado com um revólver. Ele teria ameaçado os estudantes depois que eles, por sua vez, protestaram contra a sua posição de ter estacionado o carro em um local proibido.

Teria sido realmente assim mesmo que teria se dado o desenrolar dos fatos? Vamos ver caso por caso, e questionar aquilo que julgamos como a fonte mais confiável e que trás as melhores notícias.

O Jornal O Povo, considerado o primeiro jornal a ter uma plataforma digital no Ceará, informou o caso afirmando tudo por meio de um estudante. Não foram dois, três, ou uma multidão que se falava em coro, o que deixaria subentendido nessas ocasiões, que o coro do povo eufórico, era a pluralidade o que de fato, havia acontecido. Sem contradições do tipo, esse disse de um jeito, aquele disse de outro. Mas apenas um, um único estudante relatou o caso á o repórter que nem se identifica. (Vergonha? Sensação de dever mal feito, na pressa de querer ser o primeiro?). É um caso a se analisar. O Povo tem fama de ter sido como argumentei ora inicialmente, o primeiro jornal a ter um conteúdo idêntico às folhas impressas, em versão online. Mais é ai, que o fato se faz questionável. Na pressa de dar o furo (o pecado dos jornalistas, segundo o meu professor Alejandro Sepúlveda), o jornal errou. O desdenhar do fato ocorre no finalzinho da tarde para o início da noite, e às seis e quatro da tarde, a notícia já estava publicada, o que justifica a argumentação anterior. Outra: e o nome do envolvido? Não existe na matéria. O jornal deixa a matéria incompleta. Quando lemos algo, temos a impressão de que pela visível credibilidade daquele jornal, vamos saciar a sede de curiosidade de temos respondidas seis questões principais: O que aconteceu? Onde aconteceu? Quando aconteceu? Como aconteceu? Porque aconteceu? Quem estava envolvido?. Se acontece um assassinato, o jornalista tem o dever de apurar quem é o morto. Ora, mortes acontecem todos os dias, e isso, imcompleto, não é notícia, é fato. Fato, é morte. Notícia, é quem morreu. Não é bem assim que se ver na matéria. E a imparcialidade daquele que se prega como “o melhor”? Só ouvem as vítimas (ou possíveis). Acusado, tem ou não tem direito de resposta? Ate o fechamento deste blog, a notícia no jornal O Povo, já tinha 84 comentário, além de 145 Twetts e 543 recomendações no Facebook. Os comentários são um caso a parte e nem sequer merecem atenção. Provém de pessoas que pecam ao ler um único jornal por crer que ali é que esta a melhor noticia, a melhor apuração. Existe uma máxima no jornalismo: pior do que não ler nenhum jornal, é ler um só jornal. Pobres leitores. Frutos de uma sociedade ludibriada pelos dedos pecadores e errôneos de fascistas cidadãos, dito jornalistas.

Diário do Nordeste, de longe, o jornal de maior circulação no estado, pertencente á fundação Edson Queiroz, que além do jornal tem uma empresa distribuidora de Gás GLT (O gás de cozinha), uma empresa de água mineral, uma empresa de tintas, uma de castanha de cajú, uma de sucos, um sistema de comunicação que integra três TVs, sete rádios, além de um provedor de canal por assinatura e uma universidade que recebe incentivos fiscais do governo,  também noticiou o caso. O tamanho da empresa nos faz pensar que deveria ser lá, que encontraríamos a informação mais destrinchada, a melhor apuração e uma melhor abordagem dos fatos, uma vez que é assim que ele se vende (“o maior e melhor jornal do CE” e mais recentemente, um novo slogan, “informação com credibilidade”). Apesar de ouvir a polícia, ao invés de estudantes que compreendem o fato de maneira variada (o telefone sem-fio) e informar o nome do envolvido, na prática, a ação foi igualmente a do jornal concorrente. Não ouviu o acusado, e expõe palavras afirmativas como sendo oriundas do acusado, tais como “ameaçou”.  Mesmo com três repórteres escrevendo a matéria, a informação ainda deixou a desejar.

O site Jangadeiro Online, do sistema Jangadeiro de comunicação, também do Ceará, informou o caso assemelhando o fato á (veja) tragédia que ocorreu na escola de realengo no rio de Janeiro. Pergunto-lhe: qual a semelhança de um caso entre um policial que tem porte de arma por direito, mérito e conseqüência do seu trabalho, com uma espécie de genocídio em um bairro do rio de janeiro, imortalizada por “Aquele abraço”, uma das composições mais cantadas de Gilberto Gil? (“alô, alô, Realengo. Aquele abraço”)? Resultado da pergunta: Apuração fraca e podre. Causa-me espanto, o sistema jangadeiro de comunicação que tem a frente da editoria de matérias policiais, o saudoso jornalista Nonato Albuquerque, dono de um texto refinado, pôr uma matéria torpe e de conteúdo sensacionalista, sem revisiona-la ou ao menos, analisar que ligação teria o caso com a tragédia de realengo. O diretor daquele veículo, Chagas Vieira, antes repórter policial da casa, e que deveria ter aprendido praticando madrugadas adentro como se fazia uma boa mostragem de um bandido ou assassinato, mostra que não aprendeu. Se tivesse aprendido, deveria explicar para seu redator dono do texto, que policial tem porte de arma por mérito e deve te-la sim! Imagine um policial indefeso, sendo marcado por um bandido que, fruto da justiça operante que nos deixa indignados, é solto após ter sido despachado de maneira procedente correta pelo escrivão por exemplo. Imagine, se este por sua vez, resultado com o exercício da profissão do policial, resolvesse marcá-lo a ponto de querer matá-lo? Ou será que esquecemos dos mais de 140 policiais mortos por bandidos, quando estes por sua vez estavam em momentos sem suas respectivas armas? O que poucos sabem, é que policias como o escrivão covardemente acusado ate agora, tem treinamento psicológico e psicotécnico de armamento. Ate um curso de tiro ao alvo estes possuem. Polícia não tem arma para matar. Tem para se defender. Veja  que fez um policial com o assassino das 13 crianças do Rio: atirou em sua perna a fim de frear a catástrofe. Despreparo estava embutido no menino. Julgue agora: quem é despreparado, o menino inexperiente ou o policial? Simples eu diria... Se fosse para analisar o caso como o fez, focando o despreparo, deveria ter feito uma análise da época em que um aluno, em 2009, adentrou com um revolver na cintura na UECE. O fato só foi desmascarado, quando por azar do próprio estudante (que não era policial, diga-se) deixou a arma disparar em sua coxa.

Finalizando, a folhaonline, o melhor e maior jornal do Brasil (pelo menos para os outros. Não para mim), também noticiou o caso. Lá, uma ressalva se faz necessária. A entrevista com o superintendente da policia Civil no Ceará, e o uso de verbos que deixam perguntas e duvidas sobre a noticia, tais como “após supostamente”, e “teria”. Contudo, peca ao também não informar o nome do acusado.

Separando o joio do trigo: se os jornais tivesse ouvido o acusado, teriam descoberto que Luis Cláudio da Silva Reis, não estacionou o carro em local proibido. Por engano, ele teria estacionado o veículo em um local que teria sido acordado entre os estudantes do bloco de engenharia, que não mais se fizesse tal atitude. Não havia uma placa sequer que sinalizasse que aquele local era de fato, restrito. O repórter (ou os repórteres) esqueceu desta observação e o fato se passou despercebido. 

Um estudante arrisca em afirmar sem titubear, que o problema era que o local onde Cláudio teria estacionado o seu carro, faria com que os demais realizassem manobras mais precisas e cuidadosas. Ele não sabia, e logo partiram para a “justiça com as próprias mãos”. Protesto, nem sempre é válido. No caso, não foi.  
O pobre escrivão por sua vez, não sabia do acordo ate então. Soube, quando teve seu carro fruto de um vandalismo em série. Riscaram o automóvel, que rodeado de estudantes eufóricos o chamando de otário, deixavam um bilhete com o mesmo nome no para brisa. Cláudio teria entrado no carro para ir embora, quando nesta atitude, deixou a sua arma, que estava sem munição a vista quando a guardava. Só teria levado a arma consigo – desarmada, ratifico – porque os próprios estudantes tempo desses, roubaram a arma do reitor que estava no carro á época do ocorrido. (o jornal não noticiou isso...)

Ouvir, apurar de forma coesa e precisa, e duvidar. Julgar se esta bom fica a pá de nosso patrão: o leitor. Só ele, poderá afirmar onde esta bom ou ruim. O risco que corremos em tempos de migração de jornalismo online, é justamente este: na pressa de querer ser o primeiro, acaba ficando para trás. E os leitores, acreditando que aquele que lêem é o jornal que tem a melhor fonte, esquecem de conferir nos demais a mesma informação. E ai, começam os julgamentos que merecem ser questionados.

Jornal, não existe para formar opinião. Seu dever é puramente informar. E informar bem.

Na prática todos somos jornalistas, e devemos sempre julgar se o que vemos na TV, ouvimos no Rádio, acessemos na Internet e lemos no jornal.

A ressalva que se mostra necessária é em base numa revolução vivida pelo país recentemente, depois de 48 anos, os livros de filosofia, proibidos deste a época da ditadura, voltaram a ser estudados nas salas de aula das escolas do país. Talvez se um repórter revisasse a lição de Sócrates ou Descartes, chegaríamos a colher os frutos de um jornalismo mais digno. Se preferirem, as várias bibliotecas estão recheadas dos belos versos da escritora Clarisse Lispector, que duvidava ate da própria essência.

O conselho esta dado. Não custa nada. Ler e aprender de novo, seriam o preço para não pecar novamente. Quem sabe assim, com o espírito de um eterno aprendiz, como disse Descates, teríamos um jornalismo mais puro e coerente.  

sábado, 2 de abril de 2011

CONTINUAREMOS A LEVAR SUA MENTE AO LIMITE.

Questionar o que a maioria das pessoas acreditam como sendo o correto ou o politicamente certo, sem temer, sem hesitações ou mesmo sem questionamento, dando como aquela versão do que viu ou ouviu como a que não se contesta, sempre foi uma vontade que conservei comigo. Fazia isso sempre de maneira intrínseca. Mas a vontade maior era de partilhar esta mesma corrente de questionamento com todos, de uma maneira democrática, sem actuar sobre quem quer que fosse este meu desejo. E um blog, veio como um atendente de minhas necessidades no momento. Ele estaria ali, com seu princípio, livre para quem desejase ou quem não quisesse vê-lo. Apenas, ao passo de um clique. Contudo, o tempo me reservou mudanças na minha vida que nem eu esperava que fossem tão impactantes. Tive a chance única de ingressar para um universo de capacitação profissional, e com esse novo aprendizado em que ia adquirindo, partilhar com todos os leitores simpatizantes, de minha mesma idéia que inseria em meu endereço eletrônico.

Entrar para a universidade e me bacharelar no curso de Jornalismo, foi à cereja que faltava no meu bolo, pra que eu pudesse com mais segurança passar a diante as idéias que precisavam de uma averiguação a fundo e a posteriore, de um questionamento (escrevi isso no primeiro posto do blog. Leia aqui).

Estar todos os dias, diante de técnicas, teorias e métodos que lhe aperfeiçoem e lhe dêem a oportunidade ímpar de basear estas clarezas cerebrais (tais como a minha, de montar um blog com o principio que este defende e propaga) tornaria a experiência mais profissional a cada dia. Uma vez que os idealizadores que fazem ecoar no universo digital suas tendências, estão em constante aprendizado. O QUESTIONADOR e eu, que criei a idéia, a modero e posto aqui os assuntos classificáveis como relevantes ao tema que este por sua vez defende, é um exemplo disso. Basta fazer uma pesquisa por ai na internet com o nome deste blog, e ver que vários outros sítios surgiram estagnados monotonamente, dando ar de repetição ou de uma mesma idéia que não tem forca para se difundir. Aqui, é diferente. Basta ver o histórico de artigos que este possui em seu banco de dados e deixar recair sobre eles a idéia de uma construção profissional que se realiza no dia-a-dia, com base na tese defendida anteriormente.

Porém, todas estas bases positivas que fazem do O QUESTIONADOR um ser em destaque dentre tantos outros, pararam de bater como um coração que chega ao fim da linha, muito embora que temporariamente. Para ser mais preciso, durante quase 60 dias. O blog O QUESTIONADOR, não trazia postagens desde o dia 05 de fevereiro deste ano. Algo que pode ter causado decepção ou transformado o seu princípio, como o de vários outros irmãos seus encontrados em meio á rede digital, fraco ou pobre. Quem durante esse tempo não se perguntou se O QUESTIONADOR, não tinha acabado? Se tinha sido “deixado de lado”? Ou mais ainda, se a intenção que este teve durante cinco “míseros” meses de vida (Sim! Nosso blog já possui 5 meses de existência. Um ser novo, mais já muito bem vivido, eu diria), tinha caído no esquecimento ou perdido duas forcas? Ledo engano. O QUESTIONADOR continuou durante todo este tempo – e continuará, por muito mais – com seu empenho firme e forte. Contudo, não se pode discutir que ele teve sua recaída, é bem verdade. Fato, é que eu, vulgo mediador deste blog, fui surpreendido por um turbilhão de surpresas que me fizeram parar tudo o que antes fazia, para me dedicar somente àquilo que me daria forças para continuar no futuro. Meu tempo fora surpreendido em conjunto comigo, e tive com isso, de me ausentar deste ambiente, uma vez que minhas outras obrigações familiares e dignas de todo ser estudante superocupado, me necessitavam mais do que eu mesmo acreditava que fosse o justo. Peço por tanto, com muita sinceridade e humildade, as mais leais desculpas por este imprevisto. Ter um blog e vir à tona, fazendo um jogo de conquistas e uma ressurreição das idéias de vários, antes mortas, sobre diversos temas e tabus vistos diariamente por ai, e passado imperceptíveis como um truque de mágica, é mais do que um presente. Deixá-lo reclinar-se, seria condenável.

Mas nós estamos de volta. Com ainda mais sede, capricho e ganância de prosseguir com nossa missão que já fez de nosso blog, visto por quase 500 pessoas em menos de um ano de vida (uma base de 100 pessoas o vendo, a cada mês).

Esperamos continuar a fazer prevalecer em você, à questão do incerto tido como correto, do inquestionável tido como duvidoso e do intolerante tido como politicamente correto. O QUESTIONADOR será como um descobridor de ilusões de óptica. Novos artigos já estão sendo feitos. Assuntos quentes e ascendentes de discussão e questionamentos já começaram a ser pautados. O resultado, você acompanhará nos próximos dias.

O questionador volta como uma pizza quentinha que sai do forno, com novos temperos, mais deixando prevalecer o seu mesmo e tradicional sabor.

Seja bem vindo de novo! Apesar dos contratempos, acredite: não abandonaremos esta missão de fazer com que você aos poucos, seja o revolucionário de um novo método de abordagem dos fatos, deixando transparente a sua inteligência e o fim do controle da grande mídia sobre o que você pensa, trazendo com isso, aquilo que ela decide (por você) o que acha como o mais coerente para quaisquer que seja seu campo de cobertura e abordagem. Continuaremos a levar sua mente ao limite.


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P.S.:
Sobre nossa nova temporada, veja mais abaixo. Um novo artigo acaba de ser feito. Fala como surpreendentemente, um piloto de helicóptero, tornou-se de maneira curiosa, fugindo dos estereótipos de qualquer outro correspondente que seja, abandonando os ternos e gravatas, o repórter mias famoso do Brasil. Vale à pena conferir. (E não se engane. O clima de descontração e de descoberta que tem este novo artigo que inaugura este nosso recomeço, é apenas para não causar. Vamos devagar, sem pressas. Assim, se vai longe, já diria o ditado.)

domingo, 20 de março de 2011

COMANDANTE AMILTON: O REPÓRTER MAIS CONHECIDO DO BRASIL!

A foto aí, acima, pode ate parecer estranha para quem não assite (ou pouco assite a TV Bandeirantes, a BAND). Mais para quem é familizarizado com a emissora, principalmente nas tardes de segunda á sexta, o conhece muito bem. É um piloto de helicóptero, com mais de vinte anos de profissão, e que agora, ganha um novo troféu honoris causa, eu diria. Troféu para se colocar na cabeceira da cama, com muito orgulho: o de repórter mais conhecido do Brasil! É isso mesmo! Em tempos passados á de nomes clássicos (e quando me refiro á clássicos, eles nem sempre foram bons por causa disso. Pelo menos alguns) como Gil Gomes e sua mão direita inquieta, Mão Branca, já falecido enigma da TV Cearense, que fazia coberturas policiais aparecendo com um microfone desligado (o ligado de verdade, era outro, tipo lapela, que ficava posicionado estrategicamente perto de usa boca, sem que fosse possível aparecer no enquadramento da iamegm durante a matéria) sobre sua mão coberta com uma luva branca, o que lhe gerou o apelido, e ainda de Roberto Figueredo, que teve sua fama construida pelas históricas edicões do "repórter Esso", que marcou época na década de 60, sendo Roberto, o que apresentou a ultima edicão do quadro, surge ao contrário do que muitos esperavam, longe dos ofícios da profissão, sem aquele paletó tradicional, e o microfone com a protecão do slogam da emissora, um repórter que fica famoso não pela smatérias que faz em terra, mais sim pelo ar! Lutando contra o tempo e o tráfego aéreo da maior cidade do país todas as tardes, Hamilton Alves da Rocha, o comandante Hamilton, esta deixando seu nome cravado na mente de muitos. Teve alguma ocorrencia, o Hamilton esta lá, de cima, trazendo uma visão diferenciada da cobertura dos fatos, com detalhes e narracão do par e passo dos acontecimentos pra quem assiste ao Brasil Urgente, apresentado pelo gritante José Luiz Datena (Brasil Urgente, que de Brasil não tem nada! O programa só vai ao ar, se o comandante estiver no ar, literalmente, uma vez que deixa subentendido ter uma producão fraca e pobre, sem matérias e reportagens dignas de se construir um programa polcial que se enquadraria no padrão de prestacão de servico a populacão). A rotina de Hamilton, o familiariza com os vários Brasileiros que dão a marca de 10 pontos de médias de audiencia ao programa da BAND.

Em tempor real, a rotina de Hamilton, é assim: Às 16h45 da última terça-feira, Hamilton Alves da Rocha deu partida em seu helicóptero, com câmera externa e capacidade para três pessoas. "Parece que teve troca de tiros na Dutra, com os caras fortemente armados", disse. "Vamos para lá."

A 150 metros de altura, acelerou a 180 km/h. Comunicou-se com a equipe de terra da Band: "Ô, Kleberson, se quiser mandar alguém, está tendo perseguição na Dutra." Depois, comentou: "Como a gente tem muito contato na polícia, acaba passando as pautas. São mais de 20 anos nisso."

Hamilton Alves da Rocha --o comandante Hamilton-- é o repórter aéreo mais conhecido do país. Tem presença cativa, de segunda a sexta, no "Brasil Urgente", apresentado por José Luiz Datena, na Band.
Caça engavetamentos, trocas de tiros e perseguições, como a ocorrida em São Paulo em outubro de 2010, que fez o programa alcançar 10,4 pontos de audiência --o dobro dos cinco pontos que tem em média (cada ponto equivale a 58 mil domicílios na Grande SP). Além disso, comenta, ao vivo, as cenas. "Sou formado em jornalismo", explica.

Aos 54 anos, ele é sócio da Helicóptero Digital, empresa que possui dois modelos HD 44 News, equipados com câmera que amplia os objetos em 44 vezes. "Consigo filmar a placa de um carro." Um novo custa R$ 1,5 milhão.

As aeronaves são estilizadas, com uma assinatura do comandante na lataria e duas pequenas TVs na cabine. Em uma, Hamilton acompanha o programa de Datena. Na outra, vê a si mesmo, filmado por uma microcâmera, para que, quando solicitado a aparecer, saiba como está o enquadramento.
Experiente, já trabalhou para Record, Rede TV! e SBT, onde começou, em 1986, no "Domingo Legal".

O atual contrato com o "Brasil Urgente" permite que preste serviço a outras emissoras, desde que não apareça nos vídeos ou faça comentários. Normalmente, sobe no helicóptero acompanhado de seu filho Uan Gimenes Rocha, 26, encarregado das filmagens.

"Hoje é um dia com bastante turbulência", comentou, passando sobre a Sala São Paulo. "Geralmente o clima é pior à tarde. Mas fazer o quê? É o horário da atração."

Foi bruscamente interrompido pela voz de Datena, que já apresentava o programa: "Câmera no helicóptero! Quero saber a opinião do comandante Hamilton, que também é pai. O que você acha desse homicídio, comandante Hamilton?".

"Isso é um absurdo, né, Datena?", respondeu, de chofre, enquanto aparecia no ar. Em seguida, acrescentou: "Estamos chegando numa troca de tiros na Dutra".

"Daqui a pouco, perseguição policial com o comandante Hamilton. Os bandidos estão na rua", disse Datena.

Quinze minutos depois, Hamilton chegou ao local da ocorrência. Ao avistar dois helicópteros da polícia, avisou, pelo rádio: "Alô Band, sinal, sinal". Foi a senha para que Datena o convocasse: "Abre a câmera aí que vou deixar o Hamilton à vontade. O melhor do ar! O melhor do ar no mundo!".

Começou: "Datena, os bandidos estavam fortemente armados. Temos três corporações trabalhando juntas: Polícia Militar, Civil e Rodoviária". "É isso que a gente quer ver, Hamilton. As policias trabalhando juntas", respondeu Datena.

Subiu cerca de 100 metros acima dos helicópteros da polícia, que procuravam os suspeitos no mato. Passou a voar em círculos. "Se fico parado, não mudo o enquadramento, e televisão tem que ser dinâmica", justificou.

Datena gostou: "Que coisa impressionante essa imagem! Parece Vietnã. O helicóptero da polícia voando bem próximo ao mato. Um voo considerado dificílimo, de alta periculosidade. Estão chegando cada vez mais próximos dos marginais. O crime está encurralado!". Chamou os comerciais.

Hamilton aproveitou o intervalo para checar os sete canais de áudio que escuta ao mesmo tempo (equipe de terra, torre de comando, bombeiros, telefone celular e três da emissora). De repente, gritou: "Pegaram o cara ali. Acharam o cara. OK, Band? Acharam o cara".

Assim que o programa voltou, Datena anunciou a apreensão, concluindo: "Nesses 12 anos em que eu apresento esse programa, não vi uma operação dessas. É digno de um filme. E demonstra que a sociedade está protegida. Essas imagens representam o bem vencendo o mal". As cenas foram repetidas por quase uma hora.

Orgulhoso, Hamilton desligou o microfone e comentou: "Você viu que a gente derrubou um monte de matéria do programa?".

Desviando de um grupo de urubus, completou: "Agora vou averiguar uma ocorrência na Zona Norte. Ainda temos uma hora e meia de combustível."

Enquanto tiver combustível, terá matéria. Isso enquanto houver o repórter mais conhecido do país na atualidade! Grande Hamilton. Parabéns!

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[ENTENDA O ARTIGO] - Eis nossa simbólica e emblemática homenagem á este jornalista fiel com os oficios da profissão. Na nova temporada do "Questionador", nada melhor do que escrever sobre um prazer de forma ainda mais prazerosa: os assuntos mais comentádios da atualidade, (o prazer), e em forma literária, fazendo jus á forma de jornalismo literário (a forma prazerosa). E ainda dá pra encontrar prazer em escrever sobre um assunto bacana de se falar, mais de uma forma em que este "bacana"se revele, e se diferencie do besteirol de grandes jornais e blogs pela internet a fora.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

BBB: A PEDAGOGIA DO GRANDE IRMÃO

Outro dia li um artigo de alguém criticando o que chamava de pseudo-esquerda que fica falando mal do BBB, mas que também dá sua espiadinha. E também li outras coisas de pessoas falando sobre o quanto há de baixaria no "show de realidade" da Globo. Fiquei por aí a matutar. E fui observar um pouco deste zoológico humano que a platinada oferece nas suas noites. Agora é importante salientar que a gente nem precisa assistir para saber tudo o que se passa. É só estar vivo para saber. As notícias estão no jornal, no ônibus, no elevador, em todos os lugares. Então, esse papo de que quem critica é hipócrita porque também vê não tem qualquer sentido. As coisas da indústria cultural nos são impostas de forma quase totalitária. É praticamente impossível fugir destes saberes. Mesmo no terminal, esperando o ônibus, lá está o anúncio luminoso onde buscamos o horário do busão, dando as "notícias" dos broders. É invasivo e feroz.
Mas enfim, sou um bicho televisivo e gosto de ficar feito uma couve em frente ao aparelho de TV analisando o que é que anda engravidando as gentes deste grande país que se alfabetiza por esta janelinha. Lá fiquei acompanhando alguns episódios do triste programa. Deveras, me causa espécie. Mas não falo pelo quê de promíscuo ou imoral que possa ter o "show", já que coisas do tipo das que se veem ali também são possíveis de ver na novela, nos filmes etc... O que me apavora é capacidade de ser tão perverso e desestruturador de consciências. Está bem, as pessoas estão ali porque querem, elas mandam vídeos, se oferecem, morrem até para estar naquela casa em busca do que pensam ser seu lugar ao sol. Mas, ainda assim, é perverso demais o que os "inventores" fazem com aquelas tristes criaturas.

Sempre pensei que a coisa nunca poderia ficar pior. Mas fica. Cada ano a violência fica maior. E o que me espanta é que não há gente a gritar contra isso. Agora inventaram a figura de um sabotador. Pois já não bastava colocar a possibilidade concreta de alguém (o espectador) eliminar outro (o broder?), o que obviamente inaugura uma possibilidade por demais perversa de se apertar um botão e destruir o sonho de alguém, com requintes de crueldade. Uma coisa de uma maldade abissal. Então, o tal do sabotador é uma pessoa, do grupo, que precisa sabotar os seus companheiros para poder se safar. Inaugura-se assim mais uma instância da estúpida violência, a qual é parte intrínseca do "show". Vi a cara do rapazinho. Estava em completo desespero. Precisava sabotar seus amigos. E o fez. Em nome do milhão.
Depois, um outro, ao atender ao telefone que sempre ordena uma sequência de maldades, obrigou-se a mandar sua colega para uma solitária, coisa que, nas cadeias, é motivo de grandes lutas dos grupos de direitos humanos. O garoto disse o nome da sentenciada e seu rosto se cobriu de desespero. No dia em que ela saiu do castigo, enquanto os demais a abraçavam, ele se deixava cair, escorregando pela parede, chorando. Sabia, é claro, que aquela ação o colocava na mira da outra e na condição de um desgraçado que entrega seus colegas.
E assim vai o "grande irmão" propondo maldades e violências aos pobres sujeitos que ali entram em busca de um espaço na grande vitrine da vida. Confesso que a mim pouco se me dá se são homossexuais, trans, bi, héteros tarados, loucas, putas ou santas. Cada uma daquelas criaturas que ali está quebrando todas as regras da ética do bem viver é um pobre ser humano, perdido num mundo que exige da juventude bunda, músculo, peito e cabeça vazia. Não são eles os "imorais". São vítimas. Querem mais do que as migalhas do banquete. Querem pegar com as unhas a promessa que o sistema capitalista traz na sua pedagogia da sedução: "Qualquer um pode neste mundo livre".

Tampouco me surpreende que um jornalista como Pedro Bial, dono de um texto refinado, esteja cumprindo o triste papel de fomentar a perda de todo o sentido ético que um ser humano pode ter. Ele, também buscando vencer nesse mundo que o capitalismo aponta como o melhor possível, fez a sua escolha. Optou por ser um sacerdote destes tempos vis. Um sacerdote muito bem pago.

O que me entristece é saber que essa pedagogia capitalista seguirá se fazendo todos os dias nas casas das gentes, que muitas vezes assistem ao programa porque simplesmente não têm outra opção. O melhor sinal é o da platinada. Pega em qualquer lugar deste grande país. Há os que veem e nem gostam, mas ocorre que estas "lições" em que se eliminam pessoas, em que se traem os amigos, em que vale tudo, passam meio que por osmose. É a lavagem cerebral. É a violência extrema sendo praticada entre risos e apupos de "meus heróis". Tudo pela plata.

Enquanto isso, como bem já levantaram alguns blogueiros, a Globo, junto com as companhias telefônicas, lucra rios de dinheiro com as ligações que as pessoas fazem para eliminar os "irmãos". É galera, brother quer dizer irmão em inglês. E olha só o que se faz com um irmão? 

Essa é a "ética". Os empresários globais lambem seus bigodes.

Então, fazer a crítica a esse perverso programa não é coisa de pseudo-esquerda. Deve ser obrigação de qualquer um que pensa o país. A questão do "grande irmão" não é moral. É ética. Trata-se da consolidação, via repetição, de uma pedagogia, típica do capitalismo, que pretender cristalizar como verdade que, para que um seja feliz, outro tenha que ser "eliminado". O show da Globo é uma violência explícita, cruel, nefanda, sinistra e miserável. É coisa ruim, malcheirosa. Penso que há outras formas de a gente se divertir, sem que para isso alguém tenha de se ferrar! Até mesmo os mais importantes cientistas mundiais já alardearam a verdade inconteste: vence quem coopera. Onde as pessoas, juntas, buscam o bem viver, ele vem...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

QUANDO OMISSÃO E DESCASO CAMINHAM JUNTOS, O RESULTADO, É A MORTE.


A morte de um paciente que buscou inutilmente atendimento de emergência em três unidades de saúde pública, nos municípios de Pacatuba e Maracanaú, revela a precária situação de atendimento médico à população desprovida de recursos financeiros. Morre-se à míngua diante de uma burocracia sem alma que quer determinar até a hora em que a pessoa pode ficar doente.

Como relata a mídia, o trabalhador Antônio Francisco Matos Ferreira tomou um ônibus da linha Maranguape-Ceasa. Quando se encaminhava para descer no distrito de Munguba, Maracanaú, ele começou a passar mal e a queixar-se de fortes dores no peito e falta de ar (enquanto as extremidades de seus dedos ficavam arroxeadas). Os passageiros aflitos pediram ao motorista para levá-lo à unidade de saúde mais próxima, o Posto de Saúde João Bruno Moura, em Pacatuba.


A unidade, porém estava fechada (o horário de funcionamento determinado pela Prefeitura é de 8h às 16h). O motorista ligou então para o Hospital de Pacatuba pedindo uma ambulância. Alegou-se que a única existente não estava disponível. A alternativa foi se dirigir à unidade hospitalar mais próxima: a Associação Beneficente Médica de Pajuçara. O paciente foi recusado sob a alegação de ali não se prestar esse tipo de assistência. Ainda se tentou, segundo o motorista, uma unidade privada que também recusou socorro.

Nesse ínterim, o paciente não resistiu e morreu à míngua mesmo tendo implorado socorro e com sinais de intenso sofrimento
e desespero.



Os postos de saúde estavam fechados por não ser hora de expediente, mas isso não é justificativa para a falta de atendimento. Deveria haver um esquema alternativo para encaminhar imediatamente pessoas em situação de emergência


Quem responderá por essa morte? Deveriam ser as principais autoridades públicas de ambos os municípios e o próprio Governo Estadual (por não ter estabelecido um esquema estratégico regional de socorro para esses casos) e também a unidade privada que sonegou socorro. Alguém fará alguma coisa? O Ministério Público poderá entrar em ação? Perguntas e perguntas... Até quando se continuará a morrer por não se ter dinheiro para pagar um atendimento particular e pela omissão do poder público? Que sociedade estamos construindo?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A CRISE NO EGITO E A REVOLUÇÃO DAS VONTADES

Notícias pinçadas aqui e ali nos jornais de quarta-feira (2/2) revelam o papel cada vez mais relevante protagonizado pelo Facebook e Twitter, principais manifestações do fenômeno contemporâneo chamado de redes sociais digitais. Poucos ainda chamam essas organizações de "virtuais", tamanha a sua presença no mundo real. Pergunte-se, por exemplo, ao quase ex-ditador do Egito Hosni Mubarak se ele considera "virtuais" as multidões que ocupam as ruas para exigir sua saída do poder.

As multidões se aglutinaram através de mensagens nas redes sociais, os locais de saída das passeatas foram definidos em trocas de textos curtos, os milhares de líderes surgiram espontaneamente nos grupos de relacionamento. Os meios tradicionais de comunicação assistem e relatam os acontecimentos que os novos meios tornam possíveis, mas não têm um papel importante a cumprir.

Paralelamente, não há como fugir ao fato de que o Google, suprassumo das ferramentas de busca, se transformou em referência essencial para quem quer se informar.

Diante da reação do governo egípcio, que bloqueou os sinais da internet para tentar desorganizar o movimento, Google, Twitter e Facebook acabam de lançar um serviço de mensagens por telefone, que permite a continuidade das comunicações.

Mesmo que isso não fosse possível, nada mais poderia conter as manifestações: as vontades já haviam sido mobilizadas, e toda uma geração que nunca havia vivido o sabor da democracia descobriu o que pode ser a liberdade.

Para se calcular o valor deste momento histórico, basta ler alguma coisa sobre a brutalidade da polícia egípcia, estilo comum a todas as tiranias da região. Diante do que representa o presente de terror e pobreza, para muitos vale a pena arriscar a vida por um futuro de liberdades possíveis.

Nesse cenário que anuncia profundas mudanças naquele trecho de mundo, convém observar que projeções se pode fazer para esse futuro. Um dos exercícios prediletos da imprensa, pelo menos aqui no Brasil, é cotizar os grandes acontecimentos com um "quem ganha, quem perde".

O momento histórico no Egito, imprevisto e arrasador, revela que os meios tradicionais de comunicação não estão entre os vencedores.

Se a imprensa que conhecemos ficou alijada da vanguarda do movimento e não teve instrumentos para detectar o embrião da revolta, também se pode questionar se seus profissionais estariam equipados para bem retratar o acontecimento.

Quem viveu as barricadas de Paris em 1968 e quem enfrentou a polícia da ditadura brasileira, nos anos 1970, pode ter uma idéia do que acontece na Tunísia e no Egito, mas rareiam desses profissionais nas redações, principalmente nos cargos de direção.

Na média, os jornalistas em atividade foram formados no universo que alguns chamam de "pós-modernidade" e sofrem do processo de "reeducação" liberal que despreza a História. 

Essa talvez seja a razão pela qual as edições sobre os eventos no norte da África parecem tão fragmentadas.

Assim como a camarilha que se apossou do poder no Egito se surpreende com a quebra da ordem perversa que considerava imutável, também a imprensa parece chocada com a possibilidade de uma sociedade inteira, sem lideranças formais, se mobilizar para exigir o fim da opressão.

Chega a ser irônico observar que o motor da ruptura é a informação, a notícia de que pode haver maneiras mais dignas de viver do que sob uma tirania. E concluir que não foi pela imprensa tradicional que a população se deu conta de quanto estava sendo oprimida.

Muito provavelmente, neste fim de semana os egípcios começam a voltar para suas casas. Entram em cena, então, os negociadores, e a realidade fixará seus piquetes alguns passos atrás dos sonhos dos rebeldes. Mas a sociedade egípcia terá avançado muito mais do que se podia imaginar.

As vontades individuais se consolidaram através de um agregador de informações cujo nome remete ao infinito da internet, o sonho de liberdade foi compartilhado numa rede chamada Facebook e a decisão de materializar o desejo de mudança se espalhou nas asas de outro negócio chamado Twitter, que se refere ao sistema de comunicação dos pássaros, através dos assobios.

E a imprensa tradicional ainda tenta decifrar essa esfinge contemporânea que tem milhões de rostos.

Autor: Luciano Martins Costa